IMG_1121BRASÍLIA – Em audiência da Comissão que trata do cancelamento da construção das refinarias Premium I e Premium II, respectivamente nos estados do Maranhão e do Ceará, nessa quarta-feira (8/4), o deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) fez duras críticas à gestão da Petrobrás. Participaram da reunião o diretor de Abastecimento da estatal, Jorge Celestino Ramos, e Fábio Lopes de Azevedo, Gerente Geral da Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste – LUBNOR.

Segundo Jorge Celestino, o cancelamento dos dois projetos, anunciado em janeiro passado, foi motivado por três fatores: a queda dos preços do mercado mundial de petróleo e refinados, que reduziu as “margens de refino” (retorno financeiro, descontado o custo das matérias-primas) e tirou a atratividade dos empreendimentos; a desistência da companhia petroquímica chinesa Sinopec, que estava negociando participação nas unidades; e a necessidade da empresa de preservar seu caixa. Segundo ele, o ambiente macroeconômico mundial mudou desde 2006, quando a companhia decidiu apostar na construção das duas unidades de refino.

Jorge Celestino: Petrobras fez todo o esforço para manter os investimentos, mas o risco no mercado de petróleo está alto.

Jorge Celestino: Petrobras fez todo o esforço para manter os investimentos, mas o risco no mercado de petróleo está alto.

Ramos garantiu que a Petrobras “fez todo o esforço com sua equipe” para manter os investimentos, mas não foi possível diante do cenário econômico. “Não tivermos êxito na busca de montar essa engenharia. O risco de se investir em petróleo agora é elevado”, afirmou.

De acordo com ele, somente a retomada do crescimento mundial e a melhora nos preços do petróleo e dos refinados poderão levar a companhia a retomar projetos de construção de novas refinarias no País. “Na medida em que as margens de refino se reposicionam e tenho financiamento, tenho mercado em expansão, posso voltar a rediscutir os projetos”, afirmou o diretor da estatal após pergunta do deputado Chico Lopes (PCdoB-CE).

Durante a audiência pública, Ramos afirmou que o prejuízo já declarado com o cancelamento da obra do Maranhão, de cerca de R$ 2,1 bilhões, representa entre 1% e 2% do custo global da unidade. No total, a companhia declarou, em comunicado ao mercado, perdas de R$ 2,7 bilhões com o encerramento dos dois projetos, que se destinavam à produção de refinados como óleo diesel, gás de cozinha e querosene de aviação. O prejuízo refere-se principalmente aos projetos e às obras de terraplenagem realizadas nos terrenos cedidos pelos governos estaduais para as usinas, que ficam nas cidades de Bacabeira (MA) e Caucaia (CE).

Explicações que levaram Pedro Fernandes a tecer duras críticas aos gestores da estatal. “Estou envergonhado da maneira como o sr. quer nos convencer do cancelamento. Isso é história para boi dormir. Ou o projeto foi mal pensado, aí a Petrobras se corrige cancelando, ou [a suspensão] foi de uma irresponsabilidade muito grande. O cancelamento dos projetos foi na calada da noite. Dizer que o petróleo está caindo, que as ações estão em crise, que um acionista não quer mais… essas são situações passageiras. Talvez tenhamos sido enganados por alguém que eu ainda não sei dizer quem é. A terraplanagem foi grande. Eu conheço a obra. Dizer que é um problema transitório de mercado é agredir a nossa capacidade de pensar”, disse Fernandes, que decidiu sair da reunião em protesto contra as palavras do diretor da Petrobras.